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Display em queda: para onde foi a audiência e o que o seu plano de mídia ainda não percebeu
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Display em queda: para onde foi a audiência e o que o seu plano de mídia ainda não percebeu

Léo del Castillo

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O que os números realmente mostram

A Forrester Research projetou em 2026 que os budgets de display recuarão 30% nos próximos doze a dezoito meses entre anunciantes globais de grande porte. Cinquenta e quatro por cento dos anunciantes globais atribuem a deterioração do inventário ao conteúdo gerado por IA sem curadoria: publishers produzindo centenas de artigos por dia para capturar receita programática, sem audiência humana real.

O reflexo nos grandes publishers brasileiros é concreto. Globo: -4,6% em tráfego orgânico ao longo de 2025. UOL: -21,7%. A queda não é editorial. É estrutural.

Para onde foi a atenção

A Adobe Analytics analisou mais de 1 trilhão de visitas originadas de plataformas de IA generativa no primeiro trimestre de 2026. Os números definem um comportamento diferente de qualquer fonte digital anterior:

  • Conversão 42% melhor do que a média geral das fontes digitais

  • Tempo no site 48% maior

  • Receita por visita 37% superior

  • Crescimento de 393% no tráfego de referência de IA em doze meses

O mecanismo é simples: quem chega após uma conversa com o ChatGPT ou o Perplexity já passou por um processo de pesquisa ativo. O clique é intencional, qualificado, contextualizado.

Com AI Overviews na busca, 80% das buscas terminam sem clique, mas os 8% que chegam ao site trazem 4,4× mais engajamento do que visitas convencionais de busca orgânica.

O problema de atribuição que mantém o plano de mídia cego

Entre 35% e 70% do tráfego de IA aparece no GA4 padrão como "Direto". Jornadas que começam no ChatGPT, refinam no Perplexity e convertem no site não criam o rastro de UTM que os relatórios exigem para atribuir.

Pesquisa da Amper (2026): 89% das empresas brasileiras têm dificuldades sérias com atribuição multicanal. McKinsey: apenas 1% das empresas globais se consideram maduras no uso de IA.

O resultado: o canal que mais cresce em qualidade de conversão é o mais invisível nos relatórios que definem o próximo ciclo de budget.

Três movimentos para um plano de mídia que enxerga

1. Auditar display por tipo de inventário

A queda não é uniforme. CPMs em walled gardens (Google, Meta, Amazon) se mantiveram ou cresceram. A queda está no open exchange, no inventário programático sem curadoria de contexto. Separar os dois é o primeiro passo para entender onde o dinheiro está produzindo resultado real.

2. Fechar o loop de atribuição em pelo menos um canal

Retail media cresceu 37% no Brasil em 2025 (IAB Brasil). CTV cresce como canal com atribuição próxima da conversão em ambientes premium. Migrar verba de display open exchange para canais com loop fechado não é abandono de alcance. É troca de cegueira por visibilidade. Cinquenta e dois por cento dos anunciantes brasileiros já iniciaram essa migração.

3. Rastrear tráfego de IA antes que some em "Direto"

ChatGPT, Perplexity e Gemini oferecem ou estão oferecendo suporte a links tagueados com UTM. Criar um segmento de análise específico para tráfego de IA, comparar qualidade de sessão com outras fontes e usar esse dado para argumentar alocação de budget no próximo ciclo de planejamento.


A web aberta não desapareceu. Mas o modelo que financiou sua expansão (impressões em inventário de volume sem curadoria) está em correção acelerada. A audiência migrou para ambientes de maior intenção. A vantagem vai para quem fechar o gap entre o que o mercado já faz e o que os relatórios ainda mostram.

Léo del Castillo

Sobre o autor

Léo del Castillo

"Rápido é o que não volta pra trás."

Essa frase ficou no vidro da agência por vários e vários anos. Criar a cultura do pensamento "lean digital" e fazer isso chegar até o chão de fábrica é, ainda hoje, um enorme desafio para as empresas que começam a fazer esse exercício.

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